segunda-feira, 26 de outubro de 2009

UPAs sem pediatria a partir de novembro



PMM corta em 50% a escala médica de atendimento pediátrico. Em resposta, Médicos mossoroenses se recusam a aceitar as imposições da prefeitura e se retiram da escala de pediatria das UPA's, decisão tomada hoje à noite em Assembléia na FACENE. A partir de novembro, não haverá atendimento nas UPAs à população infantil. Todos os atendimentos de urgência e emergência infantil terão que ser feitos no Hospital Regional Tarcísio Maia e acadêmicos de medicina da UERN perdem mais um campo de estágio curricular.

Segundo relatos de participantes de audiência com a Promotoria da Saúde na última terça-feira, o promotor Guglielmo Marconi afirmou que Saúde não pode ter "redução de gasto". Dentre tantos outros cortes como o de odontólogos concursados em seus plantões diurnos semanais e assistentes sociais em plantões diurnos; agora corta-se 01 (um) médico responsável pelo atendimento infantil nas escalas de 24 horas nas duas UPAs.

Não dá mais pra suportar. Até onde vai a crise na saúde de Mossoró? Redimensionamentos da rede, demissões camufladas, mudanças na sistemática de pagamentos, cortes e cortes....







sábado, 24 de outubro de 2009

REUNIÃO SEGUNDA NA FACENE


Na próxima segunda (26) às 19:30 haverá reunião importantíssima no auditório da FACENE (Av. Presidente Dutra, 701, Alto de São Manuel). Walter Júnior trará Dr. Álvaro Barros, presidente da Associação Médica do RN, para o encontro.
Pauta: Retirada de 01 pediatra da escala das UPAs, auditorias, INSS, "redimensionamento da rede", PSF, entre outros assuntos.
Compareça!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Vitória! Câmara aprova o projeto do Ato Médico.

Um dia histórico para os médicos brasileiros. É assim que a diretoria da FENAM define o 22 de outubro de 2009, quando a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 7703/06, regulamentando a profissão médica e as áreas privativas do médico. O texto aprovado foi o do substitutivo da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público, com as emendas da Comissão de Seguridade Social e Família, que teve como relator o deputado Eleuses Paiva (DEM/SP).
A sessão foi acompanhada por diversos dirigentes da Federação, que, junto com cerca de 250 outros médicos, lotaram as galerias da Câmara. Depois de 4 horas de votação, os parlamentares aprovaram a proposta, que agora segue para o Senado e depois vai à sanção presidencial. O projeto, que também é conhecido como “Ato Médico”, tramitava na Câmara há sete anos. Até chegar ao plenário nesta quarta-feira, a proposta havia passado por 242 reuniões e 70 audiências públicas

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O que todo mundo já esperava....

Gerente da Saúde admite atraso em folha de pessoal 
Em audiência com o titular da Promotoria da Saúde Pública, promotor Guglielmo Marconi, a gerente executiva da Saúde - contabilista Jaqueline Amaral (PV), admite que folha de pessoal da prefeitura pode ter atraso. Pode pipocar ainda este ano.

O relato é colhido por este Blog com o vereador Genivan Vale (PR), que participa nesse instante de reunião no Ministério Público de Mossoró. A prefeitura tenta justificar série de medidas em andamento no setor de saúde municipal.

Entre os inquiridos pelo MP, o secretário municipal da Cidadania, Chico Carlos (PV).

Extraído do Blog de Carlos Santos

domingo, 18 de outubro de 2009

Presença de Deus ante os que sofrem!



O dezoito de outubro no calendário cristão é dia de são Lucas. Médico, considerado pelas igrejas cristãs; um dos cinco grandes evangelistas. É de sua autoria a descrição do profundo e poético encontro entre Isabel a mãe de João Batista (aquele que se vestia de pele de animais e se alimentava de insetos e mel) que batizava no rio Jordão; e Maria de Nazaré a mãe de Jesus Cristo. Lucas igualmente à Paulo de Tarso, não conheceu pessoalmente famoso crucificado. Portanto, é motivo de alegria e até de orgulho, ver também o dia do Médico, ser comemorado em tão importante data: 18 de outubro.
Apesar de toda evolução da medicina saindo do empirismo da idade antiga até hoje quando a genética e o transplante de orgãos norteiam seus rumos; estranhamente o médico é um profissional em eterno conflito com o meio e consigo mesmo. Amparado por minha pequena experiência de 25 anos nessa atividade e considerando minhas limitações; tento entender esses conflitos. Talvez por haver conhecido a escassez de recursos diagnósticos e terapêuticos vigentes no interior onde vivi; sempre vi na figura do médico, aquela pessoa que ao adentrar um hospital ou mesmo um lar; leva sempre consigo a esperança e a consolação para os que dele necessitam; como também ainda hoje,não tenho como imaginar um médico tratando mal as pessoas ou negando-se a usar seus conhecimentos, quando na urgência seja solicitado .
Em meu ponto de vista, esse seria o perfil ideal de um médico: uma pessoa tranqüila, instruída, asseada e transmissora de paz e confiança. Infelizmente e com pesar, constatamos que por alguns motivos e causas não é esse o profissional que encontramos e que tanto nos faz falta no nosso dia a dia. Que se passa com essa classe? Ela tem tudo para ser vitoriosa e justificada; tem o dom (via seus conhecimentos) de curar varias doenças ou de protelar a vida daqueles portadores de graves e fatais enfermidades; fazem a alegria de vários lares quando ajudam as mães darem à luz, seus queridos bebes; enfim, qualquer classe profissional almejaria ser detentora de dons tão especiais como os que detêm a nossa classe médica. Por que tanto estresse e conflitos afligem esses profissionais?
É bem verdade que têm uma formação longa (seis anos de graduação+cinco de pós) e dispendiosa; será mesmo necessário o médico ter que assumir três empregos para perceber algo que lhe dê o mínimo de dignidade? Seria melhor precaver-se do cansaço e do estresse; terão fundamentos toda essa celeuma que se armou em cima de especialidades menos lucrativas ou menos desgastantes (ex:obstetrícia e pediatria) que tem como repercussão a falta destes importantes especialistas?
Merece considerar o grande numero de processos que ameaçam o medico diuturnamente ou o desapreço por parte da população em relação a esses profissionais, tipo: “só te considero quando de ti preciso” como causa de todo esse desmonte comportamental do profissional médico? Não sei, é muito difícil “dá nome aos bois”; são conjecturas de quem procura entender e sente-se ofendido por ver como a globalização e o imediatismo corroem os valores humanos. São muitas as mudanças impostas e vigentes. Noto, porém que a nossa adaptação a essa nova realidade caminha a passos largos; o médico de hoje cobra mais qualidade de vida e respeito; o jovem médico já não aceita seguir a cartilha dos gestores inescrupulosos como fazíamos nós, no meu tempo. É triste ver o gestor cavar seu próprio abismo quando patrocina ou admite que sob um mesmo teto hospitalar; o médico da especialidade A ou B tenha salário diferente daquele da C ou D; quando sabemos serem todos iguais.
Haveria necessidade de médico brigar por salário quando sabemos que têm compromissos e comportamento a serem honrados? Desculpem a falta de modesta, mas creio que em milhares de circunstancias sejam os médicos: a presença de Deus na esperança dos que sofrem!
Fco Fábio de Araújo Batista. Médico.
Disponível em site do SINMEDRN

PSF de Mossoró na mira da auditoria do TCU


No mês de agosto três equipes de PSF de Mossoró receberam a visita de um auditor do Tribunal de Contas da União. Parece que o TCU não aprovou o que viu (por que será?!).


Em resposta, na manhã de 19 de outubro, todas a gerentes terão que entregar os Livros de Ponto, os Registros de Produção Individual – RPI (de médicos, odontólogos e enfermeiros), comprovantes de conclusão de Curso Introdutório em PSF e cronogramas de atividades de cada integrante das equipes de PSF; além dos comprovantes das visitas domiciliares.

Ao que tudo indica, o “descobrimento” da realidade nua e crua da saúde de Mossoró está apenas começando. A maquiagem e o reboco estão caindo...

Há informações extra-oficiais de que o Ministério Público da Saúde foi provocado e que será formada uma comissão para fiscalização em todas as unidades de saúde de Mossoró. Estarão no chek list desde a temperatura da geladeira de vacina e os medicamentos manipulados em farmácias locais até o cumprimento da carga horária dos profissionais.

Aguarde pra ver! Será que agora vai?

18 de Outubro, Dia do Médico. Desabafo de quem tem que desafiar a ciência, o tempo e as políticas públicas para que haja um novo amanhã.



É sempre assim: no dia do médico e do professor a sociedade se lembra da importância dessas categorias, parabenizam, engrandecem o exercício profissional e até mencionam as dificuldades profissionais e só! No dia seguinte, a história de desvalorização do profissional médico nunca antes vista continua...  A sociedade se esquece do médico outrora respeitado, que dedicou sua vida à formação profissional e talvez a mais nobre de todas as missões: salvar vidas e aliviar o sofrimento humano.
São anos de estudo para o vestibular, seis longos e penosos anos de graduação, muito estudo para ser aprovado em concurso de residência médica, pelo menos três anos de especialização, muito investimento pessoal e financeiro por toda a vida para se manter atualizado, para depois ser lançado no mercado de trabalho e se defrontar com demanda excessiva de pacientes que chegam aos serviços de saúde (até 850 atendimentos/dia numa UPA em período de epidemia de dengue, por exemplo); carga horária desumana (super-heróis médicos com até 23 plantões noturnos/mês); corrida incessante de um a outro local de trabalho (médicos maratonistas com 4, 5, 6  empregos); ter que decidir qual paciente terá o “privilégio” de ficar numa maca; “ter que engolir” que vagas nas UTIs privadas pagas pelo SUS quase nunca são ocupadas por pacientes do SUS; lutar contra assédio moral; trabalhar num eterno campo de concentração; submeter-se à informalidade arrasadora e humilhante, com contratos temporários celebrados através de telefone, criando a figura do Médico Descartável e Biodegradável;  viver no fio da navalha sem segurança nos postos de trabalho, sendo ameaçados, desacatados. Estamos adoecendo mais e mais cedo, morrendo em vida, sem auto-estima.

Ainda assim, quando nos organizamos na luta pela valorização profissional e melhores condições de trabalho somos afrontados por todos os lados como mercenários e declarações do tipo “tudo de interesse próprio e pecuniário”. Infelizmente, no inconsciente coletivo a medicina ainda é tida como sacerdócio sob a ótica de que não podemos fazer greve ou paralisações como qualquer outra classe de trabalhadores e de que não podemos reivindicar por melhor remuneração. Somente nos é permitido lutar por melhoria das condições de trabalho, pois estas se refletem instantaneamente em melhoria para a população. Isso que a sociedade espera não é sacerdócio, é hipocrisia. Lutar pela valorização do médico, em especial, o médico do SUS é lutar, sim, também por melhor remuneração.  Afinal, saúde pública se faz com salários dignos e profissionais motivados, satisfeitos e com condições de trabalho adequadas, seguras e com o cumprimento dos deveres constitucionais (Artigos 37 e 196 CF).

 Portanto, não há o que se comemorar neste dia 18 de outubro. Temos que desafiar a ciência, o tempo e as políticas públicas para que haja um novo amanhã, fazendo  a diferença hoje.